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Encontro Territorial defende engajamento das mulheres na educação contextualizada

Na última terça-feira (21), o Esplar promoveu o Encontro Territorial Sobre Políticas Públicas no município de Tamboril. Com a participação de 110 mulheres trabalhadoras rurais, as palestras e debates pautaram o tema: “Educação no Semiárido: Mulheres construindo saberes para a Educação Contextualizada”. 

No auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Tamboril, os parceiros e parceiras convidados pelo Esplar explicaram os princípios da educação do campo e a importância de que os/as parentes e responsáveis entendam e participem da elaboração dos projetos políticos pedagógicos das escolas onde seus filhos e filhas estudam.

Aulas em que os educadores/as apresentam as informações históricas, geográficas e culturais dos territórios onde os educandos e educandas vivem, de forma que possam vincular o conteúdo dos livros didáticos com a vida do local, isto é o que propõe a educação contextualizada.

Veja fotos do Encontro na fan page do Esplar

Erdimária Macedo, educadora da Cáritas de Crateús, defendeu que a escola deve sempre mostrar as potencialidades da região semiárida aos educandos/as, e assim desfazer o preconceito que existe com a cultura e o modo de vida deste lugar. “Se a gente não trabalhar um novo olhar com as crianças, os jovens continuarão com o desejo de ir para o Sul e Sudeste buscar uma vida melhor”. No município de Tamboril, desde 2007 a educação contextualizada é vivenciada nas escolas e há quatro anos foi aprovada a lei que orienta a aplicação deste método de ensino.

Andrea Sousa coordena o Educação Para a Liberdade, projeto do Esplar que há cinco anos realiza oficinas educativas com mulheres e crianças em Monsenhor Tabosa, Tamboril e Nova Russas. Ela informou as agricultoras integrantes do Projeto sobre o incentivo que elas receberão para estarem mais presentes na comunidade escolar dos locais onde moram e para compreenderem melhor as políticas públicas para a educação. “A grande ideia é que as mulheres possam participar da escola”, disse.

A representante da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (RESAB), Iracema de Oliveira, explicou às participantes do encontro os propósitos desta articulação de educadores e educadoras, como a criação de um currículo escolar para o Semiárido e a aquisição de material didático contextualizado.

“Educação Contextualizada é um novo projeto de sociedade”, afirmou o educador Gilson Araújo. Ele integra a Secretaria de Educação de Tamboril e auxilia a disseminação da educação do campo. Para ele, o ensino formal deve valorizar o saber histórico da comunidade e mostrar que o Semiárido é “um lugar bom de viver e morar”. Temas como água; agricultura familiar; mudanças climáticas; etnia; raça; gênero e tecnologias sociais de convivência com o Semiárido devem estar presentes no cotidiano da escola. Gilson instigou as mães dos alunos e alunas da região “O que o seu filho e a sua filha devem saber sobre a história da comunidade? Vocês são importantes nesse processo, a escola precisa da colaboração das mulheres”.

Se a escola defende a agroecologia e a preservação ambiental, os agricultores e agricultoras devem reforçar estes valores com os alunos e alunas. “Os pais e mães podem ajudar sendo coerentes com a proposta da escola dentro de casa, é preciso que vão à escola para acreditarem na proposta da educação contextualizada”, disse Gilson.

A professora da educação infantil de Tamboril, Maria Sampaio, mostrou os pontos positivos de alfabetizar e ensinar crianças a partir da educação contextualizada.  “Crianças aprendem muito mais com a vivência”, disse Maria ao relatar suas aulas de campo nas quais os educandos e educandas aprendem Ciências com visitas aos roçados e hortas dos pais e mães e ao açude de sua comunidade. 

Para exercitar os gêneros textuais a professora pediu que escrevessem entrevistas com avós e as receitas culinárias tradicionais. “Crianças socializam aprendizagem com sabedoria”, afirmou a educadora. Em sua escola, os/as responsáveis pelas crianças sempre são convidados para as culminâncias, quando podem  ver apresentações e a aprendizagem dos educandos/as. Em outro momento, para aproximar os adultos e valorizar as tradições, Maria convidou uma senhora, avó de aluno/a, para uma sessão de contação de histórias. “É necessário apaixonar-se pela proposta da educação contextualizada, para poder dar certo”, disse a educadora.

 

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