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Maria Emília Pacheco fala sobre agroecologia, agricultura familiar e produção orgânica

Segunda, 06 Outubro 2014 16:44

Agroecologia, agricultura familiar e produção orgânica. Maria Emília Pacheco, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), explica a diferença entre os termos em entrevista à jornalista Amelia Gonzalez na série Empreendedorismo e Sustentabilidade do Programa Entrevista do Canal Futura.

Agroecologia, agricultura familiar e produção orgânica. Maria Emília Pacheco, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), explica a diferença entre os termos em entrevista à jornalista Amelia Gonzalez na série Empreendedorismo e Sustentabilidade do Programa Entrevista do Canal Futura. Confira trecho da entrevista.

 

“A agroecologia, nós consideramos no Brasil como uma ciência, um movimento social e práticas. E ela tem uma dimensão tecnológica, porque a prática agroecológica supõe não usar venenos, não usar agrotóxicos. Mas é mais do que isso. A agroecologia significa o manejo sustentável dos recursos naturais, significa ter uma relação mais harmoniosa com a natureza. Mas ela também tem uma dimensão social, econômica, política. Porque os sistemas agroecológicos, a implantação deles e o próprio processo de transição da agricultura convencional para a agricultura agroecológica supõe, ao mesmo tempo, que a gente leve em conta a necessidade do que chamamos de construção social de mercados. Significa aproximar também o produtor do consumidor.

Agroecologia significa também a valorização das sementes tradicionais, que em muitos lugares se chama de semente crioula, no nordeste brasileiro se chama semente da paixão, semente da fartura. Essas sementes tradicionais, elas são fundamentais porque lá onde elas existem, elas são mais adaptadas ao clima, às condições de solo. Isso também inclui a prática agroecológica.

Os sistemas agroecológicos significam uma complexidade muito grande da interação dentro do sistema, como nós chamamos, das várias combinações. Por exemplo, em muitos lugares do Brasil se combina a pesca, a coleta, com a agricultura. E dentro da própria agricultura há vários espaços. Por isso que é um sistema. Tem o entorno da casa, o quintal, o sítio (como é chamado em alguns lugares), tem a área da lavoura. Essa é a complexidade de um sistema agroecológico, porque a palavra diversidade é a palavra-chave desse sistema, sob todos os seus aspectos: diversidade de sementes, diversidade de ambientes, diversidade de práticas.

Enquanto que o sistema orgânico significa sim, não ter agrotóxico, mas você pode ter produção orgânica de um único produto. Aí vira uma monocultura. O princípio da diversidade não se aplica dentro da produção orgânica como dentro dos sistemas agroecológicos. Essa é uma diferença essencial.

E, por último, a agricultura familiar. A agricultura familiar é o sujeito dessa história. É quem pratica a agroecologia ou quem está buscando uma transição para a agroecologia porque quer sair, está convencido, por razões de impacto na saúde e no meio ambiente, está saindo da produção convencional para uma produção agroecológica. Isso também ocorre no Brasil”.

 

Confira a entrevista completa.